quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A juventude

Pois lá estava eu, ensanduichada entre os miúdos de uma das escolas profissionais lá do burgo e a exma. senhora presidenta da junta. Do mesmo burgo que os ditos jovens. Os mesmos jovens tinham vindo apoiar um ex-colega que fazia uma das apresentações. E a senhora presidenta toda ela era sorrisos e amabilidades, com palavras finas de circunstância, até que o jovem que fazia a apresentação ousou referir que havia poucos eventos no burgo. No mesmo burgo da senhora presidenta. E o semblante da senhora presidenta ficou fechado, os lábios que antes rasgavam um sorriso eram agora uma linha finíssima, os olhos semicerrados e fixos no meio do palco. Valha-nos a juventude, com a sua espontaneidade, para colocar os dedos nas feridas. A meio voz a exma. senhora presidenta lá dizia entredentes que havia muitos eventos sim senhora. Contudo, não houve coro com ela e passado pouco tempo, a exma. senhora presidenta levantou-se e foi embora. Decerto que deveria ter mais um evento a que atender.

2 comentários:

  1. A jubentude, pah, a jubentude é uma marabilha.
    E ir para a política quando se tem falta de poder de encaixe, bof, não.

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    1. O poder de encaixe é completamente desvalorizado, sobretudo aqui na parvónia em que os compadrios são publicamente assumidos e ai de quem conteste suas excelências. Aliás, as vozes que podem causar embaraços são logo travadas à priori. Sobram os pequenos eventos públicos em que não se pode barrar a entrada.

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