quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Crónicas de uma desgraça anunciada

Também por aqui temos um pedaço de estrada que está desaparecer a cada inverno. Toda a gente sabe que mais tarde ou mais cedo, a metade da estrada que falta cair, irá também ela sofrer mais deslizamentos e enquanto as autarquias e IP sacodem a água dos respectivos capotes (má sorte localizar-se precisamente no limite de concelhos), o trânsito vai-se fazendo através de circulação alternada.
Não bastou as lições tiradas de Entre-os-Rios, nem agora de Borba, porque estas coisas só acontecem aos outros até acontecerem connosco. 
Espero sinceramente nunca vir recuperar este post para dizer: estava escrito.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Exercício de positivismo

Castanhas assadas.
Tapas de queijo fresco com ervas e salmão fumado.
Pôr os dedos dentro dos cachos de cabelo do caçula.
A abraço do mais velho à porta da escola.

Os senhores de boina

Aqui é comum avistar-se a silhueta de um senhor de boina aos comandos de um qualquer chaço velho. Normalmente são seniores, já de alguma idade, reflexos lentos. A idade confere-lhes alguma indulgência e por norma não me costumo manifestar. Hoje, na minha curtíssima hora de almoço tive de ir a uma superfície comercial cá do burgo. Na rotunda apanho um destes senhores e cedo-lhe passagem. O senhor de boina avança devagarinho, piscas inexistentes, com toda a calma que qualquer tartaruga consideraria exasperante. Entra à minha frente nos acessos ao parque de estacionamento, prioridade inexistente sobre os demais mas que o senhor de boina considera ter. Ao fim de uns metros pára o carro sem razão aparente, no meio da faixa de rodagem e vejo-lhe agora que olha demoradamente em redor, ora para a esquerda, ora para a direita. E eis senão quando, com uma agilidade que não lhe imaginava, saca de um telemóvel e fica em amena cavaqueira a conversar.
Carro parado.
No meio da estrada.
Ao longe ainda conseguia ouvir " Ò amigo Faísca, que tal vai isso?"

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Pergunta para queijo

Se o sector do Turismo é responsável por cerca de 9% do PIB português, sendo que este ano as receitas que os turistas deixaram cá rondam qualquer coisa como 12 mil milhões de euros, e sabendo que a esmagadora maioria dos profissionais ligados à hotelaria, restauração e animação turística ganham o ordenado mínimo, eu pergunto: onde é que anda este dinheiro todo?

domingo, 4 de novembro de 2018